terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Direito a vagabundagem.


Você já conheceu alguém que sentisse verdadeira paixão pelo trabalho? Aquela pessoa que acorda as 5:30 da manhã de segunda-feira, abre a cortina e verifica que ainda é noite e mesmo assim profere um sonoro grito: - Graças a Deus que hoje é segunda-feira e tenho a semana inteira para pegar no batente.

 

Contrário ao que todos pensam, os americanos e não os brasileiros, são o povo mais preocupado no mundo com a vagabundagem.

 

Prova disso é que todo americano pensa em inventar facilidade, tudo pra ficar no sossego.

 

Preocupados com esse tipo de gente esquisita que acha que o trabalho é a força invisível que move a humanidade, pesquisaram e descobriram o workaholic.

 

Essa gente só pensa em trabalho, dia e noite. Não consegue dormir sem sonhar com a mesa do escritório, com produção, chega a acordar no meio da madrugada cheio de idéias, e para evitar desperdício sempre tem um bloquinho com caneta de última geração pendurada no teto, balançando diante da cama.

 

Apresentei esse relato para apenas concluir se estão estudando essa gente, ou seja, trabalhando para saber o que são (por sinal para ter uma idéia de estudar gente viciada em trabalho, só sendo muito trabalhador ou muito vagabundo) só pode ser coisa ruim.

 

Ninguém perde tempo estudando coisa boa, para divulgar para humanidade. Estudos existem para descrever ao mundo o que é considerado doença; concordo que não pode ser normal uma pessoa que goste de trabalho, pelo simples ato de trabalhar.


Está previsto desde a criação do mundo, quando Adão resolveu comer a maldita da maça (sem consultar nenhuma empresa de análise de mercado antes), que o homem ganharia o pão com o suor do seu rosto.

 

Pronto. Acabou. Não se discute com texto santo, quem gosta de trabalhar só pode ser maluco. O trabalho, por interpretação divina deve ser algo doloroso, doído, que cause sofrimento, para que o sujeito se alimente depois olhando para o céu e chorando.

 

Neste ponto a vida é muito dura com o pobre homem.

 

Começamos bem cedo indo para escola, no primário aprendemos que fazendo bagunça chamamos a atenção da sala e daquelas meninas com fitinhas no cabelo, que deixam qualquer moleque babando chocolate.

 

No colegial fumar dava prestígio e sempre a menina mais bonita sentia uma quedinha pelo barraqueiro ou atleta.

 

Até aí, sem problema, vivemos isso, aprendemos isso e revimos isso no seriado do Dawson’s Creek.

 

O problema está no final do colegial, nessa época que estamos rodeadas de colegiais, descobrimos que a mulherada gosta de status e para isso precisamos de uma boa faculdade, um bom emprego e um bom salário.

 

Acabou o sossego, passamos a vida sem preparação adequada, sem aprender outras quinze línguas necessárias para o mercado de trabalho competitivo e estamos condenados a ficar trabalhando o resto da vida no segundo escalão.

 

Acordamos cedo, pegamos o ônibus, chegamos, batemos ponto, somos criticados, ficamos putos, voltamos pra casa, dormimos, acordamos, pegamos o ônibus, chegamos, somos criticados, ficamos putos, voltamos pra casa, salário, gasta tudo, não sobra nada, dinheiro emprestado, dívida, e a vida continua.

 

Por isso, quando encontrar alguém que goste de trabalhar, ou o desgraçado não precisa de dinheiro e por isso acha um barato fazer alguma coisa, ou é louco de pedra e precisa de terapia para vida inteira.

 

Um salva para a preguiça.

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