quarta-feira, 14 de julho de 2010

Juvenal e o Telegrama (tirada da Net)


O Juvenal tava desempregado há meses.

Com a resistência que só os brasileiros têm o Juvenal foi tentar mais um emprego em mais uma entrevista.


Ao chegar ao escritório o entrevistador observou que o candidato tinha exatamente o perfil desejado, as virtudes ideais, e lhe perguntou:


- Qual foi seu último salário?

- Salário mínimo, respondeu Juvenal.


- Pois se o Senhor for contratado, ganhará 10 mil dólares por mês!

- Jura?


- Que carro o Senhor tem?


- Na verdade, agora eu só tenho um carrinho pra vender pipoca na rua e um carrinho de mão.


- Pois se o senhor vier trabalhar conosco ganhará um Audi para seu uso e uma BMW para uso exclusivo da sua esposa. Tudo zero!


- Jura?


- O senhor viaja muito para o exterior?


- O mais longe que fui foi para Belo Horizonte, visitar uns parentes...


- Pois se vier trabalhar aqui viajará pelo menos 10 vezes por ano: para Londres, Paris, Roma, Mônaco, Nova Iorque, etc.


- Jura?


- E lhe digo mais... O emprego é quase seu. Só não lhe confirmo agora porque tenho que falar com meu gerente. Mas é praticamente garantido. Se até amanhã (6ª feira) à meia-noite o senhor NÃO receber um telegrama nosso cancelando, pode vir trabalhar na segunda-feira com todas essas regalias que eu citei. Então já sabe: se NÃO receber telegrama cancelando até a meia-noite de amanhã, o emprego é seu!

Juvenal saiu do escritório radiante.

Agora era só esperar até a meia-noite da 6ª feira e rezar para que não aparecesse nenhum maldito telegrama.

Sexta-feira mais feliz não poderia haver.


E Juvenal reuniu a família e contou as boas novas.


Convocou o bairro todo para uma churrascada comemorativa à base de muita música.


Sexta de tarde já tinha um barril de chope aberto.

Às 9 horas da noite a festa fervia.

A banda tocava, o povo dançava, a bebida rolava solta.


Dez horas, e a mulher de Juvenal aflita, achava tudo um exagero.


A vizinha gostosa, interesseira, já se jogava pro lado do Juvenal.


E a banda tocava!


E o chope gelado rolava!


O povo dançava!


Onze horas, Juvenal já era o rei do bairro.


Gastara horrores para o bairro encher a pança.


Tudo por conta do primeiro salário.


E a mulher resignada, meio aflita, meio alegre, meio boba, meio assustada.


Às onze horas e cinqüenta e cinco minutos...


Vira na esquina buzinando feito louco, um cara numa motoca amarela...


Era do Correio.


A festa parou.


A banda calou.


A tuba engasgou.


Um bêbado arrotou.


Uma velha peidou.


Um cachorro uivou.


Meu Deus, e agora? Quem pagaria a conta da festa?


- Coitado do Juvenal! Era a frase mais ouvida.


- Joguem água na churrasqueira!


O chope esquentou.


A mulher do Juvenal desmaiou.


A motoca parou.


O cara desceu e se dirigiu ao Juvenal:


- Senhor Juvenal Batista Romano Barbieri?


- Si, si, sim, so, so, sou eu...


A multidão não resistiu...

OH!

E o cara da motoca:


- Telegrama para o senhor.


Juvenal não queria acreditar.


Pegou o telegrama, com os olhos cheios d'água, ergueu a cabeça e olhou para todos.


Silêncio absoluto.


Não se ouvia sequer uma mosca.


Juvenal respirou fundo e abriu o envelope do telegrama tremendo, enquanto uma lágrima rolava, molhando o telegrama.


Olhou de novo para o povo e a consternação era geral.


Tirou o telegrama do envelope, abriu e começou a ler.


O povo em silêncio aguardava a notícia e se perguntava:


- E agora? Quem vai pagar a festa?


Juvenal recomeçou a ler, levantou os olhos e olhou mais uma vez para o povo que o encarava...


Então, Juvenal abriu um largo sorriso, deu um berro triunfal e começou a gritar eufórico.


- Mamãe morreu! Mamãe morreu!

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